Uma magnífica lista de inscritos para a quarta e última prova da 20.ª temporada da GT & Sports Car Cup, integrada no programa do Algarve Classic Festival, no Autódromo Internacional do Algarve, deixa antever que 2026 será recordado como um ano de excelente colheita. Portugal — mais concretamente, o magnífico e sinuoso circuito de Grande Prémio, junto a Portimão — acolhe a derradeira prova da competição há 15 anos, com a única excepção de 2020, ano marcado pela pandemia de COVID-19.
O regresso dos “sportscars” anteriores a 1963 tem sido um dos grandes temas de conversa desta temporada, e a tendência mantém-se. Oito inscritos, distribuídos pelas divisões SP1 e SP2, prometem dar luta aos mais potentes carros de Grande Turismo anteriores a 1966. Contudo, a presença de quatro Cooper T49 Monaco é inédita nesta premiada competição por convite, que remonta a 2007. Junte-se-lhes um imponente Lister-Chevrolet e os Lotus e Elva de menor cilindrada, e estão reunidos os ingredientes para um magnífico dia de corridas de automóveis desportivos, a fechar a temporada.
Os inovadores automóveis equipados com motores Coventry-Climax montados na traseira deram à Cooper Car Company a reputação que conquistou em Portugal, graças a sucessivas vitórias em Grandes Prémios do Campeonato do Mundo, em 1959 e 1960: Stirling Moss venceu no Parque de Monsanto, em Lisboa, e Jack Brabham triunfou nas ruas do Porto, respectivamente ao volante de chassis T51 e T53. O T49 Monaco, assim baptizado em celebração da vitória de Maurice Trintignant no Grande Prémio de 1958 no principado, é essencialmente uma versão de dois lugares e carroçaria mais larga do monolugar de Grande Prémio T51, envolvida numa carroçaria de linhas fluidas. Justin e Ben Maeers levaram dois exemplares a Castle Combe no mês passado, mas desta vez juntam forças, acompanhados por Fred Harper, célebre especialista ao volante de roadsters Kurtis-Offy, e Richard Wright. Os velhos amigos Nick Finburgh/Ollie Crosthwaite e Tom Dark/Julian Stokes conduzem exemplares irmãos, equipados com motores Climax FPF de dois litros semelhantes.
Os Cooper poderão estar mais à vontade nas subidas e descidas sinuosas do circuito — onde Lewis Hamilton venceu Grandes Prémios pela Mercedes-Benz em 2020 e 2021, anos marcados pela pandemia, e que deverá regressar ao calendário da Fórmula 1 no próximo ano —, mas o poderoso Lister Knobbly de Richard Hudson/Stuart Morley deverá ser imbatível nas longas rectas quando o seu impetuoso motor Chevrolet V8 de 5,5 litros puder libertar toda a sua potência. Este monstro anglo-americano já tem provas dadas, como se costuma dizer: foi ao volante deste carro que o antigo engenheiro de Fórmula 1 Mark Lewis e o escocês Jamie McIntyre venceram a corrida de 2014, precisamente neste circuito.
O Lotus 10 de Max Smith-Hilliard/Miles Griffiths, animado pelo vigoroso motor Bristol de seis cilindros em linha e dois litros, tem uma história que remonta a 1955, quando o elegante comerciante de automóveis de West London Cliff Davis o pilotava envergando uma camisa aos quadrados — outros tempos! —, e continua a surpreender pela forma como disfarça a idade. O carro foi posteriormente vendido ao produtor de lacticínios galês Peter Cottrell, que o levou com sucesso às corridas de montanha e de aceleração, além de o utilizar em circuito. Motores Climax de quatro cilindros em linha, de menor cilindrada e com blocos de alumínio, equipam o Lotus 11 Le Mans de Doug Muirhead, partilhado com Jeremy Welch, e o Elva Mk5, concebido por Frank Nichols, de Florian Brandt, alemão, e do preparador Malc Fitzpatrick.
Três derivados do AC Cobra lideram a luta na categoria GT, com as esperanças portuguesas depositadas em Pedro Macedo Silva, vencedor no Algarve em 2017 e 2024, que este ano partilha o seu roadster com Murray Shepherd. A versão de David Smithies/Chris Clarkson, configurada como um Daytona Coupé, está de regresso depois de uma avaria no motor em Castle Combe, em solo britânico, e alinha ao lado de um automóvel semelhante dos neerlandeses Ties e Jac Meeuwissen. No mês passado, estes últimos levaram o seu Ford Mustang a um excelente terceiro lugar na extremamente competitiva categoria de Turismos das Spa Six Hours.

Os Lotus Elan com especificação 26R venceram duas das três corridas disputadas até agora este ano, e ambos os carros estão inscritos, não só para enfrentar os grandes motores da categoria GT4, mas também para tentar repetir a vitória absoluta de Andrew Haddon/Andy Wolfe em 2022.
Depois de terem terminado em 10.º lugar na prova de resistência de Spa, a estrela de Silverstone Connor Kay e Steve Jones, vencedor em Combe, terão desta vez a companhia de Dominic Mooney, em substituição de James Hughes, e de Chris Atkinson, que ocupa o lugar de Ben Tinkler. Ross Hyett, os seus filhos Nick e Charlie, rápidos em Outubro do ano passado ao volante do seu Elan, acreditam que ainda têm contas por acertar. O luxemburguês Philippe Vermast — que no ano passado levou um Triumph Vitesse a um ritmo impressionante sob chuva em Spa —, acompanhado por Patrick Wilwert, e a dupla Gerry Buggy/Darren Dunne completam o pelotão.
A luta na GT3 reúne quatro ruidosos Austin-Healey 3000 de seis cilindros, o elegante coupé Morgan Plus 4 SLR [Sprinzel Lawrencetune Racing], com carroçaria em liga leve polida e motor Triumph, de John Emberson/Billy Bellinger, e o TR4 de Allan e Daniel Ross Jones. Os especialistas dos Healey de Hampshire, Bill, Jack e Charlie Rawles, partilham o seu 3000 com decoração inspirada em Briggs Cunningham, que teve um desempenho magnífico em Combe. Jack, que levou Alex Hewitson a um segundo lugar absoluto, por margem reduzida, ao volante do carro deste último, traz pela primeira vez à competição o seu amigo norte-americano Scott McQueen, que participará com o seu próprio 3000. Os incansáveis Mark “Pangio” Pangborn/Harvey Woods e Mike Thorne/Sarah Bennett-Baggs também alinham aos comandos de poderosos Healey.
Na sempre competitiva categoria GT2, os MGB são duas vezes mais numerosos do que os elegantes Lotus Elite, equipados com motores Climax FWE de 1216 cc, e três vezes mais numerosos do que os Morgan Plus 4 Super Sports. A representação dos Lotus apresenta uma impressionante profundidade competitiva, com Robin Ellis — vencedor em Enna-Pergusa, em 2024, ao volante do seu coupé Elan Shapecraft, partilhado com Julian Thomas —, o britânico radicado no Luxemburgo Graham Wilson e Scott Malvern, campeão britânico de Fórmula Ford em 2011, em condições de baralhar as contas. Ainda assim, o irlandês Michael O’Sullivan/Olly Bryant, ao volante do carro da Bob Challman Ecurie Shirlee, e Marc Gordon/Nick Finburgh não lhes facilitarão a vida na luta pela supremacia.
A defender as cores da MG, Mark Hope/Jason Minshaw e a versátil combinação Nick e James Topliss são as duplas em melhor forma e deverão certamente intrometer-se entre os numerosos Lotus. Outra dupla de pai e filho, Richard e William Plant, traz uma vasta experiência com os Morgan para honrar a marca de Malvern, tal como Sharlie Goddard/Graeme Smith. De regresso à concorrida família MGB, o norte-americano Michael Boyle volta ao ACF, partilhando o volante com o britânico Peter Barnard. Os estreantes Paddy e William Reed, os irmãos George e Kate Fraser Ker, bem como os alemães Florian e Julius Brandt, de regresso à prova depois de trocarem o seu TVR Grantura por outro automóvel, reforçam ainda mais os tradicionais valores familiares da GTSCC, ao volante dos robustos desportivos da BMC.
As categorias de Turismos apresentam um pelotão cosmopolita, com os suecos Georg e Sebastian Kjällgren a medirem forças, aos comandos de Ford Mustang, com Andrew Haddon, antigo “rei de Portimão”. O veterano neozelandês Roger Wills, tal como Haddon, vencedor das “Spa Six Hours” ao volante de Ford GT40, partilha o seu raro Mercury Comet Cyclone, um derivado do Ford Falcon, com o filho George. Por fim, Nigel Fraser Ker e Olly Samways, campeão ao volante de Mini, levam o Cooper S de Nigel para uma missão de “David contra Golias".
A corrida, com a duração de duas horas, disputa-se no domingo, dia de 1 de Novembro.
Num fim de semana em que será proporcionada aos espectadores uma fantástica viagem no tempo, repleta de nostalgia e com uma sonoridade muito própria, os bilhetes já estão disponíveis em WeBook.com e na bilheteira do circuito (sujeitos à disponibilidade no momento da compra), com várias modalidades: o bilhete “Bancada Principal” dá acesso exclusivamente à bancada indicada; o bilhete “Paddock” permite o acesso ao Paddock e à Bancada Principal; e a modalidade “Torre VIP” permite a circulação entre a Torre VIP, o Paddock e a Bancada Principal.
A entrada é gratuita para crianças e jovens dos 3 aos 16 anos, e os bilhetes podem ser adquiridos através do seguinte link: https://webook.com/en/PT/por/sports-event/events/the-algarve-classic-festival-2026


