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Friday, 14 August 2026 20:49

Adam Fawsitt aponta ao título em 2026

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Adam Fawsitt está a viver uma temporada de grande exigência com a Art of Speed, e chega à fase decisiva do Campeonato de Portugal de Velocidade na liderança da divisão Cup.

Aos comandos do Porsche 911 GT3 Cup, o gentleman-driver britânico colocou-se numa posição privilegiada na luta pelo título, mas sabe que terá de manter-se ao seu melhor nível.

A temporada tem sido marcada por dois momentos muito distintos: um início difícil em Portimão e a resposta da equipa e do piloto em Vila Real, onde dois segundos lugares permitiram assumir a liderança. Nesta entrevista, Fawsitt aborda a evolução da época, a relação com a Art of Speed, a exigência de competir a solo no circuito transmontano e a possibilidade de o projecto continuar em 2027.

A consistência como chave

A primeira metade da temporada não foi linear para Adam Fawsitt. O abandono na segunda corrida de Portimão contrastou com os dois pódios de Vila Real, onde a capacidade de responder à adversidade foi determinante para chegar à liderança.

“Se for honesto, a primeira metade da temporada foi marcada por dois fins-de-semana muito diferentes. Em Portimão demonstrámos um ritmo competitivo e caminhávamos para um bom resultado, mas não conseguimos concretizá-lo na segunda corrida, o que foi difícil de aceitar”, começou por dizer o piloto da Art of Speed.

A reacção à adversidade evidencia a capacidade de resposta da equipa e do piloto, e Adam Fawsitt destaca a forma como toda a estrutura reagiu a um início de época desafiante. “O mais importante foi a forma como a equipa e eu reagimos. Saímos de Portimão, trabalhámos no carro e chegámos a Vila Real com uma mentalidade completamente diferente: consistentes, limpos e determinados a pontuar nas duas corridas. Terminámos em terceiro nas duas sessões de qualificação e transformámos essas posições em dois segundos lugares. Foi essa consistência que nos colocou na liderança”, explicou, acrescentando: “se tivesse de apontar os factores decisivos, diria que têm sido a capacidade de evoluir prova após prova, aprender com os fins-de-semana menos positivos e aproveitar todas as oportunidades para pontuar. O campeonato recompensa quem chega ao fim e, até agora, essa abordagem tem funcionado bem”.

A temporada representa também o primeiro programa completo de Fawsitt com a Art of Speed e aos comandos do Porsche 911 GT3 Cup. A adaptação ao carro e aos métodos da equipa tem sido parte importante do processo, numa relação que se foi fortalecendo precisamente nos momentos mais exigentes. “A aprendizagem tem sido intensa, mas muito positiva. Quando se chega a uma equipa e a um carro novos para disputar uma temporada completa, começamos praticamente do zero em muitas áreas: compreender como tirar o melhor partido do Porsche 911 GT3 Cup, perceber como a equipa trabalha durante um fim-de-semana e aprender a comunicar aquilo que o carro está a fazer para que o Frederico e os engenheiros possam tomar as decisões certas”, sublinhou o inglês.

O método de trabalho da formação conimbricense tem sido uma agradável surpresa para Adam Fawsitt, que admite ter evoluído enquanto piloto: “o que apreciei desde o início é que a Art of Speed é uma equipa que compete com verdadeira paixão, mas também com muita disciplina. A equipa eleva a fasquia. O Frederico tem sido fundamental nesse processo, pressionando-me para ser mais preciso, mais consistente e para pensar no fim-de-semana como um todo, em vez de me concentrar apenas numa volta rápida”.

O gentleman-driver britânico acrescenta que o compromisso de todos os membros da equipa o leva a assumir uma responsabilidade ainda maior. “A relação também cresceu nos momentos difíceis, tanto quanto nos bons. O esforço feito pela equipa para voltar a colocar o carro em pista, no início da temporada, disse-me muito sobre as pessoas com quem estava a trabalhar. Esse compromisso faz-nos querer retribuir e dar ainda mais à equipa. Sinto que evoluí mais como piloto nestas primeiras provas do que esperava e muito disso se deve ao ambiente criado pela equipa”, enfatizou.

Vila Real e a liderança

Se Portimão obrigou a equipa a reagir, Vila Real permitiu concretizar essa resposta. Fawsitt disputou a solo duas corridas marcadas pelo calor extremo, num circuito sem margem para erro. “É um circuito pelo qual tenho um enorme respeito. Aquele fim-de-semana colocou tudo à prova: o carro, a equipa e eu próprio. Fazer as duas corridas a solo, naquele calor, foi um dos desafios mais exigentes que enfrentei no automobilismo. Temos de gerir o cansaço e o carro sem permitir uma trajectória imprecisa, porque as barreiras estão mesmo ali. Terminar com dois pódios e assumir a liderança do campeonato significou muito para mim. Foi uma demonstração de resistência, disciplina e capacidade de manter a cabeça fria”, afirmou. “O segundo lugar na primeira corrida deu-nos confiança. Repeti-lo na segunda, com temperaturas ainda mais elevadas e o carro já sujeito a uma corrida, mostrou a nossa evolução enquanto equipa. Sair de Vila Real na liderança tornou o resultado ainda mais especial”.

A liderança alcançada no campeonato coloca agora o britânico perante uma fase decisiva da temporada. Com Jerez e Estoril no horizonte, Fawsitt reconhece que a vantagem actual é importante, mas não permite qualquer relaxamento. “O objectivo é simples de dizer e difícil de executar: terminar todas as corridas, pontuar em todas e não deixar fugir o campeonato. Temos uma vantagem, mas, como o Frederico disse depois de Vila Real, o campeonato está completamente em aberto, e tem razão. Uma liderança no papel pode desaparecer muito rapidamente se começarmos a pensar nela em vez de pensarmos na próxima curva”, avisou o inglês.

Adam Fawsitt está já de olhos postos nas próximas etapas. “Jerez é um circuito que estou ansioso por conhecer em competição. É um verdadeiro circuito de competição, com zonas rápidas e técnicas, e deverá adaptar-se bem ao Porsche se encontrarmos uma boa afinação”, apontou. “No Estoril teremos de estar preparados para o que o campeonato exigir. A abordagem será a mesma: qualificar bem, competir de forma limpa, gerir os pneus e o carro e chegar ao final em posição de pontuar. Para transformar a liderança no título não precisamos de heroísmos, mas de disciplina. Se repetirmos a consistência de Vila Real nas próximas duas rondas, teremos a melhor oportunidade possível de conquistar o campeonato”.

Um projecto com futuro

Apesar de o foco imediato estar totalmente colocado na luta pelo título, o desempenho alcançado com a Art of Speed e o Porsche 911 GT3 Cup já abriu perspectivas para além de 2026. Fawsitt admite que pretende continuar a evoluir, podendo esse caminho passar por um novo desafio dentro da própria estrutura de Coimbra.

“O projecto com a Art of Speed e o Porsche 911 GT3 Cup correspondeu exactamente às minhas expectativas: competição ao mais alto nível, uma equipa que me obriga a melhorar e uma verdadeira oportunidade de lutar por um campeonato. Não é algo de que se abdique facilmente”, sublinha o britânico.

Por isso, Adam Fawsitt quer continuar a evoluir e tem uma ideia clara sobre qual o próximo capítulo da sua carreira. “Sempre fui honesto comigo próprio sobre onde estou e para onde quero ir a seguir. Sinto que existe um passo natural a dar e esse poderá passar por um projecto na GTX com a Art of Speed. É uma possibilidade que faz sentido e que iremos avaliar em conjunto no final da temporada”, afirma o piloto da formação conimbricense.

Mas, para já, o objectivo é claro: “quero terminar correctamente esta temporada. Temos um campeonato para disputar em Jerez e no Estoril e é aí que está o meu foco. Depois disso, vou sentar-me com o Frederico e com a equipa para definirmos o projecto para 2027. A minha vontade é continuar a construir este percurso com a Art of Speed”.

 

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