Thursday, 09 January 2020 23:12

António Teixeira o Luso-Suíço da Porsche GT3 Cup Challenge

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António Teixeira foi o primeiro a surpreender-se com o seu talento natural para a competição. A Porsche Suíça decidiu incentivar este jovem discreto de 18 anos a competir na GT3 Cup Challenge Suíça, campeonato que viria a terminar na segunda posição da classificação geral em 2019.

O barulho estridente dos carros de corrida do troféu monomarca da Porsche, percorrem a linha recta que separa o início do final do circuito de Imola, Itália. Um calor sufocante invadiu o local e penetrou nas boxes. António Teixeira sobe a bordo do seu Porsche 911 GT3 Cup. Teste das ligações do rádio, correcto acerto dos cintos de segurança, HANS, capacete e do banco. Sem nervosismo, sem febre. As operações sucedem-se com calma mas com muita concentração, como se já tivessem sido repetidas mil vezes. É isso, ser profissional. No entanto, António Teixeira tem apenas dezoito anos e este é apenas o seu quinto fim de semana de competição ao volante de um Porsche e, apenas o terceiro com um 911 GT3 Cup. Isso não impediu a Porsche Suíça e a Federação de Porsche Clubs Suíça (FCPS) de integrar este jovem calmo, com um rosto suave e barba adolescente em seu novo programa Júnior. E, obviamente, eles se saíram bem: após três pódios e uma vitória nos quatro primeiros eventos de sprint do GT3, António Teixeira saiu como líder de Emilia Romagna. É difícil imaginar um começo mais promissor na promoção de jovens talentos.

A carreira no automobilismo deste jovem Luso-Suíço, que vive em Bilten, até agora tem sido breve, não convencional e com algumas etapas curiosas: em vez de trilhar o Karting e Fórmulas de promoção, António Teixeira encontrou o caminho para circuitos já bastante ‘tarde’, durante os dias em família. O pai reservou um circuito e levou os filhos com ele, acabando por deixar que o António e os seus dois irmãos mais velhos, Manuel (22) e José (23), assumissem também a condução dos seus Porsche, um 911 Turbo e um 911 GT2. Rápidamente os filhos tomaram conta da situação, deixando o pai na posição de ‘espectador’. O filho mais novo foi aquele que se sentiu imediatamente no seu elemento natural.

O passo seguinte foi a condução de um protótipo Radical, leve (600 kg), aberto, com mais de 200 cavalos de potência e já equipado com aerodinâmica ‘de afinação. O quarteto repartiu-se ao volante, mas o resultado foi o mesmo, com o António a ser o mais rápido. Foi então que o jovem se decidiu passar para o Karting e treinar a sério.

"Trabalhamos muito e o circuito, para nós, era apenas um hobby para aliviar o stresse", disse o pai, que dirige uma empresa de vendas e aluguer de gruas. “O António também trabalha connosco e é muito empenhado. Na verdade, ele já está fazendo muito. Comparado com seus irmãos mais velhos, ele é do tipo mais calmo. "

"Do meu ponto de vista, o António, é dinamite! " riu-se Andreas Hodel. O dono da equipa Sportec, que levou Teixeira para a competição automóvel, colocando-o a competir em provas da categoria Cayman GT4 como parte da Porsche Sports Cup Suíça - onde, desde os 17 anos de idade, conquistou excelentes resultados. “Quando ele está ao volante, ele transforma-se e torna-se um grande concorrente. Às vezes ele é ambicioso demais, gostaria de ser o mais rápido o tempo todo e em qualquer lugar, mas não podemos forçar etapas. Nós ensina-mo-lo a ver para além do circuito e a pensar estrategicamente sobre a competição e o título. Às vezes, um segundo lugar é o melhor resultado. "

Início dos bons 30 minutos de corrida aos 4.909 km do Autódromo de Imola. Teixeira obteve o melhor tempo na qualificação, mas ao serem-lhe colocados pneus novos no seu Porsche 911 GT3 Cup de 495 cavalos, foi obrigado a descer três ugares na grelha. Chove levemente sobre o asfalto quente e o António Teixeira nunca pilotou a viatura nessas condições de aderência e com slicks. Uma volta é suficiente para o levar de volta à segunda posição, apenas atrás de Fredy Barth, um profissional acostumado ao circuito. A partir da quinta volta, Teixeira começa a diminuir a diferença. Pouco depois, ele estava grudado na traseira do líder, o qual atacou pouco antes do final da prova, na aproximação ao “Tamburello”, travando a par com Barth. Na box é Andreas Hodel que não esconde o seu nervosismo, mas o jovem Luso-Suíço levanta o pé e contenta-se com o segundo posto, até porque Barth era um dos pilotos convidados em prova e não pontuava para o campeonato, permitindo assim a António Teixeira a obtenção do número máximo de pontos, somando ao resultado da qualificação (pole), a vitória e a volta mais rápida na corrida.

"Bem jogado!” exclamou Christiaan Frankenhout. Este profissional de 37 anos treina o jovem prodígio da Sportec e analisa com ele, após cada sessão, os seus registos de dados e vídeos. "O António tem uma excelente velocidade de base", disse o holandês. "Ele leva o carro ao limite muito rapidamente, mas a sua pilotagem às vezes ainda é muito agressiva - é preciso contê-lo um pouco. Mas ele tem muito potencial e aprende rapidamente. A Porsche Cup, com seu motor traseiro, é bastante difícil de dominar, principalmente na travagem, porque não possui ABS. Então, o estilo de pilotar importa muito. "

Há muito a analisar: ângulo de curva, movimentos e posição do acelerador, velocidade na qual a pressão máxima de travagem é obtida e quanto tempo ela é mantida - sempre considerada a partir de um ponto de travagem para o próximo. Frankenhout costuma fazer comparações com as referências de outro piloto. A qualidade das informações que o Teixeira fornece ao seu engenheiro de corrida também é muito importante. "Neste ponto, também está melhorando visivelmente", diz com satisfação Christiaan Frankenhout. "Obviamente, o António ainda comete erros, essa é a ordem natural. É numa idade em que descobrimos muito pela primeira vez, por exemplo, a maneira como reagimos ao final de uma intervenção em um carro de segurança. Como treinador, ajudo-o a evitar erros desnecessários. "

E que diz o Chefe da equipa? “Ao António ainda lhe faltam muitos quilómetros, mas vemos que está avançando e que o podemos formar. Realmente dá-nos muito” diz Andreas Hodel. “Ele é ainda muito jovem e muito humilde. Às vezes ele poderia estar um pouco mais confiante, porque ele sabe o que é capaz de fazer.”

“Este ano (2019) aprendi muito, pois é preciso dizer que comecei do zero.” disse António Teixeira com uma voz suave e pausada. “O Christiaan já ganhou tantas competições, ele conhece todas as pistas e isso é uma enorme ajuda.”

Como vê o seu futuro? “Não posso dizer que agora a minha vida gira toda em torno das corridas.” diz a jovem estrela moderando a sua euforia. “Também ando sempre muito ocupado com o trabalho na empresa do meu pai e, no final da temporada, veremos o resultado e decidiremos o que fazer a seguir. Dizendo isto, a Porsche Carrera Cup é um desafio que eu adoraria enfrentar!”

Entrevista realizada por Klaus-Achim Peitzmeier, para o website da Porsche, em Abril de 2019 a um jovem valor de ascendência Portuguesa, cujos carreira tem passado ao lado da maioria dos media Portugueses.

António Teixeira viria a terminar a sua temporada de estreia em alta competição num magnífico segundo lugar à geral na Porsche GT3 Cup Challenge Suíça 2019.

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