Tuesday, 12 November 2019 22:52

RallySpirit Altronix: Porta aberta ao passado dos Ralis!

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Público muito entusiasta e fortes emoções nas estradas por onde se desenrolou aquela que foi a 5ª edição do RallySpirit Altronix, foram alguns dos tónicos que marcaram o espectáculo que nos foi oferecido pela organização (X-Racing) deste magnífico evento, bem dirigido na estrada pelo CAST-Clube Automóvel de Santo Tirso.

Tal como aconteceu nas últimas edições, também este ano a ‘sala de visitas’ da milenar Cidade do Porto (Cais de Gaia) se encheu, no final da tarde da passada sexta-feira, com mais de uma centena de exemplares de automóveis que, ao longo das últimas décadas, gravaram a letras douradas a história e a memória de todos aqueles fãs do fenómeno RALIS, ao qual Portugal e os Portugueses estão interligados há mais de cinco décadas. Do antigo Volvo PV 544 de 1962, ao moderno Skoda Fabia R5, passando pelos fabulosos ‘Mini’, ‘Escort’ e, claro está, o excelente leque de famosos “Grupo B”, todos foram alvo do muito público que marcou presença neste grande show e no qual teve ainda oportunidade para interagir com grandes nomes do automobilismo Nacional e Internacional, de entre os quais se destacava o Stig Blomqvist que, 35 anos após se ter sagrado Campeão Mundial de Ralis, regressou a Portugal não escondendo que… “voltar a guiar este Audi Sport Quattro S1 também é sempre um prazer. Noutros tempos, correr com ele contra o cronómetro era um enorme desafio e, hoje, mais de 30 anos depois, também continua a ser, mesmo que o ritmo seja, claro, mais lento. O gozo de guiá-lo num ambiente descontraído como o do RallySpirit, que tão bem se enquadra no espírito dos Rally-Legends actuais, só posso dizer que ainda é imenso!”

As Cidades do Porto, Barcelos e Santo Tirso foram, ao longo do fim-de-semana, palco de prova da ‘caravana’ deste 5º RallySpirit, iniciando-se a competição na ‘parada’ do Quartel da Serra do Pilar (Vila Nova de Gaia) na noite do passado dia 8 perante vários milhares de espectadores, saindo daí os primeiros líderes da prova, Bernardo e Luís Esteves (Porsche 911T) na Categoria ‘Históricos’ e a dupla Emílio Vasquez / Hector Rodriguez (Citroën ZX Kit-Car) na Categoria ‘Spirit’.

Após pernoitarem na Avenida dos Aliados (Porto), fortes chuvadas acompanharam a ‘caravana’ rumo às primeiras provas especiais de sábado. Sempre com muitos milhares de espectadores ao longo das cinco especiais classificativas do dia - Laúndos; Barcelos (2); Franqueira (2), os concorrentes aproveitaram a melhoria das condições atmosféricas, verificadas a partir do meio da manhã, para aumentarem o ritmo de prova, assistindo-se ao domínio quase absoluto da Rui Salgado / Luís Godinho (VW Golf GTi II) e consequente assalto à liderança da Categoria ‘Históricos’, enquanto a dupla Espanhola Vasquez/Rodriguez terminava o dia na posição em que o começara, ou seja, na liderança entre os ‘Spirit’.

A etapa viria a terminar com a realização da especial “Boucles Barcelos”, que se correu de cronómetros desligados e em sistema de perseguição, o que é inédito em Portugal e que permitiu apimentar ainda mais o espectáculo seguido pelos muitos milhares de espectadores presentes.

O final da prova estava marcado para Domingo e aí voltava a chuva para complicar a vida aos concorrentes na disputa das especiais de Assunção; S. Tomé de Negrelos e Coronado, mas nada que impedisse a dupla Rui Salgado e Luís Godinho de manter a supremacia entre os ‘Históricos’, graças ao ritmo forte e constante que imprimiram no VW Golf GTi #54. Após o final da prova o piloto Nortenho viria a declarar que o segredo da vitória… “esteve no andamento da primeira classificativa onde, com muita chuva, os adversários jogaram à defesa e eu arrisquei tudo, ganhando uma vantagem que consegui aumentar ainda até ao final do primeiro dia, para depois gerir no último”, acrescentando que se tratou “de um triunfo particularmente emocional pois ganhar um rali já é especial, fazê-lo frente a um plantel de luxo e num ambiente fantástico como o do RallySpirit torna tudo mais especial”.

Rui Ribeiro/Pedro Fernandes (Ford Escort MK I #14) e os Espanhóis Julio Borja Saura/Juan Costas (Porsche 911 SC #43), viriam a terminar nos restantes lugares do pódio.

Seria entre os concorrentes da Categoria ‘Spirit’ que a derradeira fase da prova se iria revelar madrasta para a dupla do Citroën ZX Kit-Car #78, dado terem sido forçados ao abandono, em virtude de problemas mecânicos na viatura Francesa, permitindo assim que a dupla Pedro Leal/Isabel Ramalho (Mitsubishi Lancer Evo #87) herdasse a liderança da prova (a qual já tinha ganho em 2017), levando o piloto do Porto a referir no final que… “a vitória pertence à equipa espanhola no plano moral, embora já se saiba que os ralis estão sempre cheios de imponderáveis”.

Atrás da dupla Portuense, não faltou animação, com Gonçalo Figueiroa/José Janela (Ford Escort MK II #64), a repetirem também o segundo posto alcançado em 2018, seguidos da dupla Jorge Marques/Ricardo Cunha (Mitsubishi Lancer Evo #86), os quais viriam a herdar o derradeiro lugar do pódio após penalização da dupla Armando Costa/Rui Raimundo (Mitsubishi Lancer Evo #89).

Dentro de ambas as Categorias acima referidas houve diversos outros motivos de interesse e de espectáculo que o muito público não se cansou de aplaudir, com destaque merecido a ir para a dupla Madeirense – Cláudio e Martinho Nóbrega, aos comandos de um fabuloso Datsun 1200 “vitaminado”.

Alvo do olhar atento da enorme mol humana que seguiu a prova eram o Lancia Stratos HF e as viaturas de ‘Grupo B’, os quais, apesar de não entrarem na discussão ao cronómetro, eram os mais aguardados, já que todos estavam ávidos de ouvir o barulho e degustar do andamento dos Lancia 037, Renault 5 Turbo, Audi Quattro, MG Metro 6R4, Peugeot 205 Turbo 16 e, claro está, do Audi S1 pilotado por Stig Blomqvist, piloto que, após esta curta viagem no tempo em Portugal, teve oportunidade para efectuar algumas reflexões relativamente à evolução dos ralis. Comparando os pilotos do seu tempo com os da actualidade, o Sueco com 55 anos de carreira, refere que “os pilotos de hoje são também muito rápidos, mas têm muito melhores condições do que aquelas que tínhamos na década de 80. Penso que nunca saberão quais as dificuldades do que era fazer um troço como Arganil à noite, com nevoeiro e chuva, ou um rali com 700 quilómetros de troços cronometrados e com poucas horas de sono, com carros que não curvavam como os atuais e que tinham acelerações brutais. Mas é a normal curva do tempo e da evolução”.

O piloto Sueco (73 anos) viria ainda a declarar... “foi muito bom regressar a Portugal e ver que não consigo reconhecer quase nada neste País, porque vocês o têm vindo a modificar e a melhorar a todos os níveis... só eu estou mais velho! A paixão pelos ralis mantém-se e os espectadores continuam a vibrar com este desporto, mas felizmente agora estão muito melhor comportados. Aliás, a organização está de parabéns pelo excelente trabalho realizado e pela escolha que fez do percurso, muito interessante e selectivo.”

Mas se o valor das palavras de um ex-Campeão do Mundo como Stig Blomqvist constituem legítimo motivo de orgulho para a organização do RallySpirit Altronix, não restam dúvidas que a 5ª edição constitui um marco importante na ainda curta história da prova. Na realidade, o RallySpirit entra, por direito próprio, na rota dos mais prestigiados e importantes Rally-Legends europeus.

Depois de três dias de emoções fortes para pilotos e espectadores, a organização da X-Racing também não podia estar mais satisfeita. À chegada a Vila Nova de Gaia, Pedro Ortigão, da X Racing, referiu que “estamos muito satisfeitos com o assinalável crescimento face às edições anteriores, o que é extremamente positivo para evolução do RallySpirit. A presença dos míticos carros de Grupo B foi naturalmente a ‘cereja no topo de bolo’, mas estamos igualmente contentes por perceber que alguns dos principais animadores dos mais importantes Rally Legend europeus nos deram um feedback muito positivo relativo ao RallySpirit. É igualmente gratificante perceber na estrada que estamos a conseguir corresponder às expectativas do público, que muito nos acarinhou ao longo dos dias de prova e que é um dos pilares de sucesso deste rali. No fundo, tivemos o cenário perfeito para nos enquadrarmos nos melhores Rally-Legends europeus, mesmo sabendo que ainda temos um grande potencial de evolução e é nisso que vamos trabalhar já em 2019”.

Corre o pano sobre o RallySpirit Altronix 2019, mas já com o pensamento no RallySpirit Altronix 2020!

Texto: Joaquim Oliveira & RallySpirit Media

Classificação Final

SPIRIT

1º Pedro Leal/Isabel Ramalho (Mitsubishi Lancer Evo), 33m22,4s

2º Gonçalo Figueiroa/José Janela (Ford Escort MK II), a 1m13,8s

3º João Marques/Ricardo Cunha (Mitsubishi Lancer Evo), a 1m31,6s …

A Classificação Final Oficial do RallySpirit Altronix (SPIRIT) pode ser consultada em:

http://wwr.stm.pt/s/eventsdocs/87/FINAL-S-SIGN.pdf

HISTÓRICOS

1º Rui Salgado/Luís Godinho (Vokswagen Golf GTI), 36m35,4s

2º Rui Ribeiro/Pedro Fernandes (Ford Escort MK I), a 14,9s

3º Julio Borga Saura/Juan Costas (Porsche 911 SC), a 59,2s …

A Classificação Final Oficial do RallySpirit Altronix (HISTÓRICOS) pode ser consultada em: http://wwr.stm.pt/s/eventsdocs/87/FINAL-H-SIGN.pdf

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